Nova Editora Cyberpulp Comix Surge no Mercado de Quadrinhos Apostando em Obras Autorais e InfluĂȘncias Pop
- Carlos Pedroso
- 8 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Em meio ao cenårio cada vez mais diverso e competitivo das publicaçÔes independentes no Brasil, uma nova editora, CYBERPULP COMIX, chega para ampliar o leque de opçÔes para os leitores. Fruto de um longo processo de planejamento, pesquisa e de uma paixão cultivada ao longo de décadas, o novo selo nasce da visão de Fernando Pintos Borges, leitor e entusiasta de quadrinhos desde a infùncia, que agora då seu primeiro passo oficial no mercado editorial.

Em conversa com o Yellow Talk, Fernando contou que a ideia de criar uma editora o acompanha desde muito antes de se tornar um projeto concreto. âA editora vem de muito tempo de planejamento e pesquisa. A ideia em si provavelmente estava lĂĄ desde que abri o primeiro gibi. Mais recentemente, com a pulverização de editoras e publicaçÔes, comecei a considerar colocar em prĂĄtica algo que sempre quis: trazer aqui os quadrinhos que gostaria de ver publicados. Passou tambĂ©m por alguns questionamentos pessoais que surgem com a idade, como o de qual legado deixamos.â
Uma linha editorial guiada pela cultura pop
A nova editora nĂŁo tem interesse em se limitar a um Ășnico nicho. Pelo contrĂĄrio: seu catĂĄlogo pretende refletir o repertĂłrio diversificado de Fernando, marcado por cinema, mĂșsica, TV e por referĂȘncias que moldaram sua formação cultural.
âGosto de muita coisa. Cinema, mĂșsica e televisĂŁo sĂŁo, sem dĂșvida, as maiores influĂȘncias. Cold War, do John Byrne, Ă© muito cinematogrĂĄfica, e a biografia do Hitchcock dispensa comentĂĄrios. Para janeiro, chega Cowboy Bebop, na minha opiniĂŁo, o melhor anime de todos os tempos.â

Crescido nos anos 80, Fernando cita sĂ©ries de TV americanas e japonesas â faroestes, sci-fi, tokusatsu e gibis populares da Ă©poca â como elementos que permeiam suas escolhas editoriais. âPodem parecer desconexas, mas, no fundo, tĂȘm a mesma origem: histĂłrias divertidas, visualmente interessantes e cheias de referĂȘncias pop.â
Desafios de quem estreia no mercado editorial
Apesar do entusiasmo, Fernando reconhece que começar do zero exige resiliĂȘncia. âNo começo, como em qualquer negĂłcio, tudo Ă© muito difĂcil. Temos que construir credibilidade com os donos das obras para licenciar, com os fornecedores para produzir e com o pĂșblico para vender.â
Ele explica que muitas editoras estrangeiras hesitam em licenciar obras para empresas novas e que o pĂșblico brasileiro, com razĂŁo, Ă© cauteloso com novos selos apĂłs anos de promessas nĂŁo cumpridas por iniciativas anteriores. AlĂ©m disso, a localização no interior do Rio Grande do Sul acarreta desafios logĂsticos: âO frete fica mais caro para todo o Brasil, e esse ritmo lento de retorno acaba sendo um dos principais fatores de dificuldade.â
O futuro: obras fechadas e curadoria emocional
Mesmo diante dos obstĂĄculos, Fernando demonstra otimismo e clareza ao falar sobre os prĂłximos passos. A editora jĂĄ possui tĂtulos contratados e pretende, neste inĂcio, focar em obras fechadas, especialmente volumes Ășnicos, evitando sĂ©ries longas atĂ© consolidar sua atuação.
âTemos alguns tĂtulos jĂĄ fechados e nĂŁo pretendemos pegar nenhuma sĂ©rie longa nestes primeiros passos. A prioridade serĂĄ dada a obras fechadas. Estou sempre buscando oportunidades e acredito que estamos olhando para tĂtulos inĂ©ditos de maneira diferente.â
A curadoria seguirĂĄ um critĂ©rio pessoal, quase afetivo: âO quadrinho nĂŁo precisa ser americano ou europeu. Ele tem que me tocar quanto ao conteĂșdo e ao visual. Se eu nĂŁo me emocionar com um tĂtulo, nĂŁo tem por que lançå-lo.â
