Boca de Siri – Robôs, guaiamuns e bicicletas numa aventura ecológica
- Altair Jr @nerd.8k
- há 2 dias
- 3 min de leitura
Em Boca de Siri, Paulo Moreira equilibra humor, regionalismo e crítica ambiental com uma naturalidade impressionante. Publicado pela Pitaya, o quadrinho é recheado de referências à cultura pop, especialmente a produções japonesas como tokusatsus e animes.

Um Passeio de Bicicleta por João Pessoa
A trama de Boca de Siri se passa em João Pessoa, onde um grupo de crianças explora a cidade por meio de suas bicicletas, enquanto se dirige até a praia de Cabo Branco, onde um guaiamum gigante deve aparecer em breve para destruir a obra de alargamento da orla que a prefeitura está promovendo.
Só que o prefeito da cidade não pretende deixar suas pretensões de “progresso” e valorização imobiliária serem frustradas “de graça”… e o Guaiamum terá de enfrentar um robô gigante da prefeitura, numa batalha estilo “kaiju vs mecha”, lotada de referências e tomada por um humor nonsense.

A ideia das crianças se aventurando pela cidade em suas bicicletas remete muito a filmes da Sessão da Tarde ou a Stranger Things, em uma história divertida e confortável de ser lida, fazendo com que o subtexto da obra seja absorvido de forma ainda mais efetiva por conta do humor, que, sem dúvidas, dá o tom central da HQ.
Rodrigo Otávio!
Os personagens (tanto os principais quanto os de apoio) são cativantes e muito brasileiros. As gírias regionais são usadas de forma muito natural nos diálogos.

O elenco vai do trio principal — Ygo, Vitória e Duda — ao fã-clube do Guaiamum, passando pelo próprio crustáceo gigante e seu rival Kleitinho, o robô gigante da prefeitura, até chegar à própria João Pessoa, que aqui não é só um cenário, mas sim um personagem extremamente fundamental para a história.
Preciso destacar o Rodrigo Otávio: um personagem que aparece em momentos aleatórios e cuja presença é tão absurda quanto hilária. Quem é Rodrigo Otávio? Não sei ao certo, e talvez essa seja justamente a graça. Ele só aparece… e isso é engraçado.
Um ponto sobre a arte…
A arte característica do autor é fundamental para a história funcionar tão bem.

O traço expressivo, engraçado e completamente alinhado ao tom da trama é essencial para que tudo funcione. A representação de João Pessoa é muito bem feita e, como eu citei anteriormente, a própria cidade acaba sendo mais que um cenário. O design dos personagens - sejam humanos ou não - é visualmente marcante e divertido.
Se já é legal a representação dos personagens e da cidade em preto e branco, os extras deixam claro que, se a história fosse colorida, a experiência de leitura seria ainda mais enriquecedora.
Não me cabe questionar a opção pela publicação em P&B, mas preciso dizer que senti falta das cores. A ausência delas não prejudica a leitura de forma alguma, mas fica a impressão de que as cores enriqueceriam ainda mais a obra.
Boca de Siri é Para Todo Mundo!
Entre muito humor, um robô gigante e uma criatura colossal, Paulo Moreira constrói uma história que diverte ao mesmo tempo em que cutuca questões importantes.
Boca de Siri é um quadrinho para todo mundo. Seja para se divertir lendo uma batalha entre monstro e robô gigante, seja para refletir com uma história com uma pegada de crítica ecológica, ou melhor ainda, com a junção dos dois, a diversão é garantida.
Basta dar uma passada no Instagram do autor e ler algumas das tirinhas que ele publica para entender o clima da HQ. Se você gosta de humor, cultura pop, histórias com crianças aventureiras e, principalmente, de quadrinhos nacionais com personalidade própria, Boca de Siri é pra você.
Boca de Siri é um quadrinho do autor Paulo Moreira, publicado em outubro de 2025 pela Pitaya (selo editorial da Harper Collins Brasil).




Fiquei com vontade de ler esse em!
Perfeito!! Quero muito ler ele também 😻👏👏👏