Sanctuary: Um Noir Policial Frenético
- Carlos Pedroso
- há 3 horas
- 2 min de leitura
Confesso que nunca fui o maior fã de mangás, em grande parte porque minha base como leitor de quadrinhos foi moldada pelos comics americanos. No entanto, devo reconhecer que o gênero tem me surpreendido cada vez mais, seja pela qualidade das tramas, pelo apuro visual ou pela inovação. Mas Sanctuary me cativou especificamente pelo roteiro, e que roteiro! Escrita por Sho Fumimura e ilustrada por Ryoichi Ikegami, a obra apresenta um ritmo frenético.

A premissa é, essencialmente, uma história policial em estilo noir, conduzida com maestria pela dupla de protagonistas Akira Hojo e Chiaki Asami. O "Santuário" do título, como a própria narrativa enfatiza, é uma espécie de El Dorado: um lugar ou estado de espírito onde finalmente se alcança a calmaria. Esse conceito é muito bem explorado ao longo do primeiro volume, pois tanto Akira quanto Chiaki buscam esse refúgio e, para isso, selam um pacto: dominar o Japão e transformar o país em seu santuário particular. Para atingir tal objetivo, seguem caminhos radicalmente opostos: Hojo infiltra-se na Yakuza, enquanto Asami ingressa na carreira política.

Este primeiro volume estabelece com solidez a narrativa em torno de todos os personagens, sejam eles principais ou secundários. Acompanhamos as extremidades a que ambos estão dispostos a chegar para realizar seus planos, envolvendo roubos, trapaças, ameaças e, sobretudo, a manipulação alheia. O aspecto mais fascinante da obra é a representação de que, mesmo em meio ao caos, existe uma ordem rigorosa a ser seguida, algo profundamente intrínseco à cultura oriental.
Tanto Akira quanto Asami enxergam em si mesmos o futuro, acreditando serem os agentes da transformação necessária. Contudo, percebem gradualmente que a transição do velho para o novo raramente é simples. Esse contraste é muito bem desenvolvido na trama: o embate entre a velha guarda da política e da Yakuza contra a nova visão dos protagonistas revela como cada lado utiliza suas armas, conexões e influência para manter ou conquistar o poder. Interessante observer a pegada mais politizada do mangá, que paviementa o caminho para discussões mais profundas nos próximos volumes.
Sanctuary é o tipo de história que prende o leitor do início ao fim, mantendo uma cadência acelerada que poucas vezes permite fôlego. Este primeiro volume encerra-se com um gancho sensacional, digno das melhores séries semanais.
Sanctuary é publicada no Brasil pela JBC e a série será concluida em sete edições.
Obs: Estou adorando acompanhar as republicações da JBC, tem muita coisa bacana saindo.




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