O melhor do Demolidor revelado por Brian Michael Bendis
Vamos falar da melhor republicação da Panini atualmente?
Sim, estamos falando da aclamada fase do Demolidor escrita por Brian Michael Bendis, que começou a ser publicada originalmente no início dos anos 2000.
Antes de assumir de vez o título do Demolidor, Bendis teve uma primeira passagem pela revista escrevendo as edições 16 a 19, que contava com o arco Tempo de Despertar, que foi ilustrada lindamente pelo artista David Mack. Após um intervalo de cinco edições, Brian Michael Bendis inicia na edição 26 o que viria a ser conhecido como um dos melhores “runs” não só apenas do Demolidor, mas dos quadrinhos em geral.
O trabalho de Bendis com o Demolidor é equiparado por muitos ao que o lendário Frank Miller fez com o personagem quando nos entregou clássicos como A Queda de Murdock e O Homem Sem Medo.

O primeiro encadernado (re)publicado recentemente pela Panini, abre com o arco Tempo de Despertar, onde acompanhamos uma criança, filha do vilão Sapo, que se encontra em um estado catatônico e que com a ajuda do jornalista Ben Urich vamos descobrir o motivo e a relação com o Demolidor. Em seguida, a história continua com o arco O Segundo Homem, que traz um Wilson Fisk cego e que sofre um atentado que dá início a uma série de situações que culminará no aclamado arco Revelado.
E é aqui que Bendis brilha ainda mais. Revelando a identidade até então secreta do Demolidor e colocando Matt Murdock sob o holofote de todo um país (e por que não do mundo?), o escritor começa a desenhar a sua própria versão da Queda de Murdock, levando o advogado cego e herói a repensar todo o seu cotidiano e suas atitudes como vigilante, já que agora os riscos não se restringem à Matt ser machucado ou até mesmo morto em uma de suas “missões”, eles se expandem aos seus amigos, conhecidos, amores, tudo o que até então ficava protegido por uma máscara vermelha.
Aliada ao roteiro de Bendis, está a arte de Alex Maleev que funciona quase como um outro personagem narrador da trama, já que o estilo “sujo” do artista casa muito bem com a escrita e em determinadas edições que não tem diálogo algum, a arte consegue passar muito bem todo o peso e angústia da situação pela qual Matt está passando, chega a ser quase palpável e quase dá para “sentir o cheiro” das ruas, graças à ambientação criada por Maleev no casamento perfeito com as cores de Matt Hollingsworth.

A fase do Demolidor escrita por Brian Michael Bendis é daquelas que surgem de tempos em tempos e que além de definir um personagem, passam a ser referência para tudo o que vem depois. Se Frank Miller colocou o Demolidor numa prateleira acima, Bendis o mantém no mínimo no mesmo patamar (podendo estar um pouquinho acima dependendo do seu saudosismo ou por onde você começou a ler Demolidor).
Mas um ponto é consenso geral: é começando com uma queda, que o Demolidor te entrega o melhor dos quadrinhos.




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