Mazebook: Um labirinto de superação
- Monique Mazzoli

- há 1 dia
- 3 min de leitura

Já faz muito tempo que não falo de uma obra do Jeff Lemire. Ele, por muito tempo, me fez derramar lágrimas com suas histórias, se tornando um dos meus autores de fora preferidos. Hoje, resolvi reviver as memórias de Mazebook porque aqui a gente aprecia um drama, e Jeffinho (íntimos, né, mores?) faz isso como ninguém. Mazebook, como o próprio nome já diz, apresenta um labirinto de emoções, e, na mesma pegada de Royal City e Soldador Subaquático, quem já leu também vai se identificar.
Escrita em 5 partes, Mazebook saiu mais uma vez pelo cavalinho dos quadrinhos, a Dark Horse Comics, e encerrou sua trajetória em janeiro de 2022. E só então as pistas desse labirinto finalmente fizeram sentido.
Aqui, vemos a história de Will, um homem que não consegue superar o "desaparecimento" de sua filha Wendy. Quase dez anos se passaram, e só então as pistas para percorrer e chegar ao centro desse labirinto vêm à tona. Se você é um pai ou uma mãe, o sentimento que essa história passa inicialmente é desolador, afinal, o que pode ser pior do que perder um filho?

Will vive num eterno estado de piloto automático, onde todos os rostos não significam nada, não mais. Em um eterno looping entre realidade e o irreal, onde nada parece real e onde tudo parece possível, ele precisa vencer um minotauro, desistir ou seguir em frente.
Essa não é uma história com um final feliz, não é uma história que entrega aquilo que você deseja ver, mas uma história sobre superação, sobre seguir em frente, e a cada página, a cada linha que Lemire vai te guiando, te fazendo enxergar isso, é dolorido.

Como eu disse: essa não é uma história com um final feliz, é uma história de superação, e superar dói. Superar uma perda, o encerramento de ciclo, um luto, é a coisa mais difícil que podemos fazer em nossas vidas, mas é o único caminho possível se você quiser, de fato, recomeçar.
Eu admito que, até aqui, minha relação com Jeff ficou fragilizada. Ele me fez derramar uma lágrima para cada página dos 5 volumes de Mazebook e sentir na pele, junto com a história, cada nuance desse labirinto.
Lemire caminha muito bem por esse terreno: um homem que veio de uma cidade pequena, mas com grandes conceitos do que é uma família e uma relação familiar. Hoje ele tem sua própria família e filhos, e provavelmente vêm daí essas histórias tão bem construídas nesse cenário, que sempre mostram os traumas e arrependimentos de uma relação mal construída, das coisas não ditas, do perdão que não veio a tempo e até mesmo as dores da perda e de como é difícil seguir em frente sem deixar que o passado se torne algo tão presente na sua vida que te impeça de ver o que está na sua frente agora.

Se você acompanha os trabalhos autorais de Jeff Lemire, vai encontrar essa particularidade que citei em Condado de Essex, Soldador Subaquático, Royal City e agora em Mazebook, mas aqui de uma forma ainda mais profunda, isso eu posso lhes garantir.
“Talvez a resposta estivesse bem na frente dos seus olhos o tempo todo”
Então, continuamos seguindo essas pistas e sempre aguardando os próximos trabalhos do nosso autor canadense preferido. Mazebook, infelizmente, não veio para o Brasil, mas fica aí a minha dica para as nossas editoras.
Vejo vocês por aí! Até a próxima! Fiquem com o trailer de Mazebook, que saiu pelo canal oficial da Dark Horse Comics.





Comentários