Kuno e uma Jornada de Descoberta
- Carlos Pedroso
- há 4 horas
- 2 min de leitura
Antes de começar a falar sobre Kuno, que é um baita quadrinho, preciso esclarecer uma coisa. Quando li a obra, eu estava passando por um momento de grande pressão profissional. E é justamente nesses períodos que percebemos o poder que a arte exerce sobre nós. Essa capacidade que obras, ou mesmo histórias, têm de nos fazer refletir, ou até compreender que algumas coisas simplesmente acontecem, é um dos grandes baratos da vida. E Kuno, uma obra tão leve e divertida, carrega uma mensagem tão potente quanto a de quadrinhos gigantescos.

Dadas as devidas explicações, vamos falar sobre Kuno. Como comentei no Instagram, trata-se de um baita acerto da editora Poptopia. Uma obra leve, divertida e extremamente carismática, que merece toda a atenção. Mesmo funcionando quase como uma releitura moderna de O Mágico de Oz, com elementos que lembram Toy Story, Kuno carrega consigo o peso das mudanças, da não aceitação de quem somos e, principalmente, de como a amizade nos transforma.

A história é basicamente uma road trip, protagonizada por um boneco de teste de colisão que, durante sua busca por identidade, encontra amigos improváveis pelo caminho: Ping (um joão-bobo), Molko (um robô Polaroid obsoleto), Condessa (um quadro renascentista) e Vaca (autoexplicativo). Juntos, eles embarcam em uma jornada cheia de ação e diversão, marcada por descobertas e superações. Com humor e sensibilidade, a obra aborda temas como diversidade, identidade e autoconhecimento.
Mas Kuno vai além. Ao longo do caminho, questionamentos e aflições são colocados à prova, reforçando a ideia de que não podemos nos contentar apenas com aquilo para o qual “fomos fabricados”. Em linhas gerais, a mensagem é clara: levante do sofá e vá se descobrir. Aqui, a jornada é o que menos importa. Os laços de amizade, a aceitação de que cada um é único e o processo de autodescoberta fazem da obra um prato cheio para quem gosta de boas discussões sem ser apelativa nem pedante.
Mesmo sendo uma leitura rápida, Kuno ficou martelando na minha cabeça por dias. E, para mim, essa é a maior marca que uma obra pode deixar. Quando sigo pensando e refletindo sobre ela após o fim da leitura. Além da história leve e divertida, o quadrinho conta com desenhos e cores vibrantes, que reforçam tudo aquilo que está sendo transmitido e tornam a leitura fluida, quase sem que se perceba o tempo passar. Mesmo com um final aberto para uma possível continuação, me senti plenamente satisfeito. No fim das contas, as descobertas desses amigos também foram, de certa forma, as minhas.
Que mais leitores possam ler Kuno e ter sensações diferentes das minhas. Afinal, é isso: cada leitura carrega o peso do momento vivido e da bagagem que trazemos até ali. Costumo dizer que um quadrinho realmente bom é aquele em que você é uma pessoa antes da leitura e outra depois dela.




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