Cold War, de John Byrne: ação e intriga no coração da Guerra Fria
- Carlos Pedroso
- há 5 minutos
- 2 min de leitura
O ano de 2026 chegou e, com ele, uma nova proposta para falar de quadrinhos: lá se vão mais de 12 anos falando sobre leituras, discutindo obras e, principalmente, conhecendo novos trabalhos. E para esse ano, minha proposta é focar cada vez mais em falar de quadrinhos que merecem holofotes, não que todos não mereçam, mas existem uns que recebem pouco ou quase nada. Para 2026, quero que obras alcancem mais pessoas e que tenhamos cada vez mais leitores.

Dito isso, minha primeira leitura entre os recebidos de 2026 foi Cold War, quadrinho lançado no ano passado pela nova editora Cyberpulp Comix. Trata-se de uma obra de espionagem criada pelo veterano John Byrne, pensada para quem aprecia ação, aventura e aquela clássica atmosfera à la James Bond. Como o próprio título indica, Cold War se passa no período pós-Segunda Guerra Mundial, quando o mundo assiste à escalada da Guerra Fria: a União Soviética e os Estados Unidos disputam o poder, a influência e a supremacia tecnológica, especialmente nos campos armamentista e espacial. O diferencial aqui é que o protagonista não é americano, e sim britânico. Michael Swann é um ex-agente do Reino Unido que agora atua como freelancer e é convocado para investigar a possível deserção de um cientista, o que dá início a uma trama que rapidamente ganha corpo.
A partir dessa premissa, o leitor é lançado em uma narrativa de intrigas, espionagem e traições internacionais conduzida de forma frenética e quase alucinada. Byrne demonstra total domínio da história e sabe exatamente como construir e sustentar a tensão, algo que me agradou bastante. A linguagem direta adotada pelo autor, mesmo em uma trama relativamente conhecida, confere frescor ao material e faz com que a leitura flua com naturalidade, mantendo o interesse do começo ao fim.

Embora seja uma obra originalmente publicada em 2011, esta é a primeira vez que Cold War chega oficialmente ao Brasil. Ainda assim, fica claro que o quadrinho fazia parte de algo maior, possivelmente planejado como o início de uma série. Há pequenas lacunas na construção do protagonista e na continuidade geral, que provavelmente seriam desenvolvidas em histórias posteriores. Nada disso, porém, compromete a compreensão ou o prazer da leitura.
No fim das contas, Cold War é aquele quadrinho arroz com feijão bem feito. John Byrne joga no seguro, aposta em fórmulas que funcionam e entrega uma história pé no chão, sem ambições megalomaníacas, mas com espaço de sobra para futuras expansões. Se você, assim como eu, gosta de ação, aventura e espionagem clássica, é difícil não se divertir com essa leitura, ainda mais quando tudo isso é acompanhado de desenhos muito bonitos e bem resolvidos. Além disso, vale prestigiar a estreante cyberpulp comix.
Informações da obra:
Roteiro e Arte: John Byrne
Tradução e Letras: Leandro Luigi Del Manto
Formato: Americano (17cm x 26cm)
Miolo: 120 páginas coloridas (papel couchê)
Capa: Cartão
Lombada: Quadrada
Extras:
Prefácio de Roberto Sadovski
A Guerra Civil na Cultura POP, por Gelson Weschenfelder o Filósofo dos Quadrinhos
John Byrne na IDW, por Pedro Bouça

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