Critica: Western
- Carlos Pedroso
- 7 de out.
- 2 min de leitura
Jean Van Hamme & Grzegorz Rosinski | QS Comics
Há quadrinhos que te colocam dentro da história logo nas primeiras páginas, e Western é um deles. A obra de Jean Van Hamme e Grzegorz Rosinski, lançada recentemente pela QS Comics, te transporta para um tempo em que as cidades pareciam viver sem lei e em que a vingança fazia parte da rotina, quase como o café da manhã do Velho Oeste.

Apesar de partir de uma premissa familiar e sim, boa parte das histórias ambientadas nesse período carrega inevitavelmente seus clichês, Western consegue ser diferente. Van Hamme e Rosinski entregam uma trama que vai além do tiroteio e da poeira das estradas: aqui, a gente realmente se importa com os personagens. Há humanidade por trás dos olhares duros e das armas carregadas, e por mais que o destino deles pareça selado, a gente torce, sinceramente, para que tudo dê certo.

O que mais me chamou a atenção foi a narrativa gráfica. Rosinski cria uma atmosfera sombria, quase opressora. A arte é bela, mas nunca confortável e é justamente isso que torna a leitura tão envolvente. Há momentos em que o traço parece carregar o peso do tempo, das perdas e das escolhas. É um faroeste que se aproxima mais do drama humano do que da aventura.
A trama começa em 1858, em Wyoming. Um nome, uma recompensa e uma reviravolta. Ambrosius Van Deer chega a Fort Laramie à procura de seu sobrinho, desaparecido após o massacre da família pelos Lakota. Mas o destino, como sempre, tem seus próprios planos. O que acontece ali desencadeia uma tragédia que se estende por quinze anos e molda o caminho de um jovem que precisará confiar apenas em sua coragem (e em sua pontaria) para sobreviver no Oeste selvagem.

A edição da QS Comics mantém o padrão da editora: cuidadosa, elegante e comprometida com a qualidade. É mais uma aposta certeira em narrativas viscerais, que não tratam o leitor como espectador distante, mas como cúmplice dessa travessia árida e emocional.




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