top of page

Ultimate Homem-Aranha, de Jonathan Hickman

Foto do escritor: Carlos Pedroso
Carlos Pedroso
há 9 horas
3 min de leitura

É estranho pensar que acompanhei tão de perto essa nova fase do Universo Ultimate, em 2024, e que, apenas dois anos depois, já estou escrevendo sobre seu fim. Lembro do entusiasmo com a possibilidade de conhecer novas versões de personagens que gosto tanto de acompanhar. Mesmo com seus momentos caóticos, algumas soluções previsíveis e ideias que, às vezes, pareciam inventivas até demais, esse universo vai deixar saudade. Principalmente o seu Homem-Aranha.



Para muitos leitores, esse Peter Parker representa o Homem-Aranha que gostariam de acompanhar hoje: adulto, com família, amigos, trabalho e responsabilidades que vão além da máscara. Talvez essa identificação venha justamente do fato de ele refletir a fase da vida de tantos que cresceram lendo suas aventuras. Confesso que fazia tempo que eu não acompanhava o personagem, mas resolvi dar uma chance à série, principalmente pelo roteiro de Jonathan Hickman e pela arte de Marco Checchetto. Ao longo das 24 edições, pude conhecer esse novo Peter, acompanhar sua evolução como herói e me envolver com o mundo construído ao seu redor.


E que começo! Para mim, o primeiro arco continua sendo o melhor. A descoberta dos poderes, a apresentação dos personagens e a construção das relações trazem um frescor que fazia falta. Existe uma satisfação especial em acompanhar um Peter que começa sua trajetória como Homem-Aranha depois de já ter construído uma vida. Cada nova escolha precisa encontrar espaço entre os compromissos e os vínculos que ele já possui.

Eu esperava uma conexão maior com os acontecimentos do restante do Universo Ultimate, mas gostei da concentração no núcleo do personagem. Afinal, o Homem-Aranha já carrega um universo próprio, com vilões, personagens secundários e relações capazes de sustentar muitas histórias. Aqui, esse espaço foi aproveitado para nos aproximar de Peter, MJ, dos filhos, de Ben, de J. Jonah Jameson e de Harry. Aos poucos, o cotidiano dessa nova versão foi se tornando tão interessante quanto suas aventuras.


O segundo arco, porém, me parece o mais irregular. Hickman assume um tom mais explicativo, dedica bastante espaço aos personagens secundários e desacelera a trama principal. Embora existam boas ideias, alguns momentos parecem deslocados, e a função de certas passagens demora a ficar clara. Ainda assim, há bastante coisa que funciona: o núcleo do jornal, a relação de Peter com os filhos e MJ e, principalmente, sua aproximação com Harry.



Talvez o maior acerto da série esteja justamente na amizade entre Peter e Harry. A cumplicidade dos dois dá força à história, porque nasce da confiança, das dúvidas e da vontade de fazer algo melhor com os poderes que possuem. Quando essa relação é colocada à prova, os conflitos ganham um peso que vai além dos confrontos entre heróis e vilões. Na reta final do segundo arco, as ameaças começam a se revelar, os acontecimentos se conectam e a trama ganha o impulso que conduz os arcos seguintes.

O terceiro e o quarto arco trazem muita emoção. Novos personagens, mistérios, intrigas e bastante ação movimentam a narrativa, mantendo as relações construídas até ali no centro dos conflitos. Hickman encontra um equilíbrio melhor entre o desenvolvimento dos personagens e o avanço da história, enquanto a arte de Checchetto dá intensidade aos confrontos e sensibilidade aos momentos mais íntimos.


É nessa reta final que Peter se destaca ainda mais. A amizade, a família e o compromisso de fazer o que considera certo orientam suas decisões, mesmo quando o custo aumenta. Para mim, é isso que faz do Homem-Aranha o maior herói da Marvel: a capacidade de continuar se importando com as pessoas em meio às próprias dificuldades. O confronto com o Rei do Crime e seu novo Sexteto Sinistro leva essa disposição ao limite, em uma batalha brutal que coloca em risco tudo aquilo que Peter tenta proteger.


Ao terminar a leitura, o que fica é o carinho por esse Homem-Aranha e pelas pessoas ao seu redor. Sua família e seus amigos participam de sua trajetória, dão sentido às suas escolhas e ajudam a sustentar o peso de suas responsabilidades. A série encontra muita força nessa rede de afeto, que torna cada vitória mais significativa e cada ameaça mais dolorosa.


Apesar das oscilações no ritmo, foi uma leitura que me devolveu a vontade de acompanhar o personagem. Fica a satisfação de ter conhecido esse Peter e a sensação de que ainda havia muito a explorar. Uma pena que um universo tão promissor tenha chegado ao fim. Esse Homem-Aranha vai fazer falta.

Comentários


Aqui a gente fala sobre a cultura pop com bom humor e acidez na medida certa. Trazemos pautas que realmente importam e merecem ser discutidas.

FIQUE LIGADO NASREDES SOCIAIS

Compre pelo link e nos ajude

AMZN_BIG.D-8fb0be81.png

ASSINE

Assine nossa newsletter e fique por dentro de todo conteúdo do site.

Obrigado pelo envio!

© 2026 YELLOW TALK 

bottom of page