top of page

Midnight: a nova linha da Marvel tem um começo promissor (e assustador)

duartemail3
há 11 minutos
5 min de leitura

Depois de ter encerrado de forma precoce o seu universo Ultimate, lançado em 2024, a Marvel deu início a um novo. Porém, dessa vez a iniciativa seria mais sombria e teria foco no horror: o Midinight (ou simplesmente Meia-noite no Brasil).


Lançada no último dia 7 de outubro nos EUA, a linha Midnight conta inicialmente com três títulos: Homem-Aranha, X-Men e Quarteto Fantástico, escritos respectivamente por Phillip Kennedy Johnson, Jonathan Hickman e Benjamin Percy e desenhados por ScieTronc, Matteo Della Fonte e Kev Walker.


De acordo com a própria Marvel, os escritores têm liberdade criativa total para levar os seus títulos na direção que desejarem, o que também inclui mudanças que acharem necessárias na mitologia destes personagens. E isso ficou perceptível já nas primeiras edições de cada um dos três títulos, uns ousando mais do que outros.


Vamos falar um pouco deles?


Midnight X-Men


Nesta primeira edição, Jonathan Hickman não perde tempo contando uma origem. Ele apenas te joga nesse novo universo habitado por vampiros e onde os X-Men estão divididos entre os que foram transformados também em vampiros e os que não foram. E nesse ambiente, temos ainda a Igreja Católica como um dos panos de fundo e Noturno como um bispo, e aqui, fica claro que Hickman também pretende percorrer todos os meandros, articulações da grande máquina por trás da igreja.



Apesar de ainda discreto, Noturno, devido sua natureza apaziguadora e tranquila, parece funcionar em Midnight X-Men como o elo entre os mutantes vampiros e os não-vampiros, mas a gente já leu bastante quadrinhos para saber que em algum momento ele terá que fazer uma escolha difícil entre um dos lados, não é mesmo? Magneto, Feiticeira Escarlata, Pietro, Polares e Destrutor também marcam presença na edição e lembram ao leitor que existe um pacto aparentemente firmado por todos os lados que diz que a “paz deve prevalecer”, mas até que ponto esse pacto será respeitado?


Por não ser uma edição de origem, você pode até se perguntar se ficará perdido por já começar “no meio da história”, mas Hickman intercala o presente com o passado por meio de flashbacks que ao mesmo tempo servem como peças de um quebra-cabeça para entendermos como tudo começou, e nos deixam cheio de perguntas sobre o que aconteceu.



Midnight X-Men tem todos os elementos que fazem de uma HQ do Hickman, uma HQ do Hickman. E isso inclui um ritmo cadenciado e as famosas “data pages” (páginas de informação), além de bons diálogos entre os personagens, um tom mais sério e um clima de que “tem algo muito maior acontecendo além do que está sendo mostrado”. Se você conhece o trabalho de Hickman, especialmente nas primeiras edições e o ritmo como ele constrói uma narrativa maior, sem pressa alguma, é isso que você vai encontrar aqui.


Além do roteiro, a arte de X-Men é um outro grande destaque, já que o trabalho de Matteo Della Fonte casa perfeitamente com o texto do Hickman e juntos conseguem contar a história com a qualidade que ela merece. As cenas de ação são muito boas, a ambientação, a dinâmica entre os quadros, tudo funciona. E aqui vale mencionar as cores de Arthur Hesli e Matt Hollingsworth que dão um toque ainda mais especial ao título.


Midnight Homem-Aranha


Em Midnight Homem-Aranha temos o título que mais apostou no horror corporal em sua edição de estreia. A trama escrita por PKJ traz um Peter Parker vivendo em um mundo onde grandes corporações, incluindo a Oscorp, prometem verdadeiras revoluções na vida da população, que vão desde um efetivo rejuvenescimento celular até uma empresa na Síria que estuda a possibilidade do ser humano não precisar mais se alimentar. E é nesse mundo que Peter mantém um blog no qual ele compartilha toda a sujeira por trás destas grandes empresas, e que seu tio Ben também mantém um processo contra a Oscorp.


Nessa primeira edição, vemos uma mudança na máxima de grandes poderes e grandes responsabilidades, PKJ mostra que aqui “o poder cria monstros” e que apesar de ser literal nessa versão do Homem-Aranha como vamos perceber ao final da HQ, o roteiro nos mostra como de fato o poder pode corromper o homem ao ponto de achar que ele pode simplesmente fazer qualquer coisa sem sofrer qualquer tipo de consequência. E é justamente esse tipo de poder que domina o mundo do Peter e ele de forma até ingênua acha que pode mudar todo o sistema de dentro para fora.



Como mencionado, Midnight Homem-Aranha aposta bastante no horror corporal com cenas bem explícitas e que podem mexer com você, caso seja mais sensível. A arte de ScieTronc também é destaque e é bem puxada para o estilo do anime/mangá (o que pode desagradar algumas pessoas) e mostrou logo de cara que ela não vai poupar esforços para causar espanto nos leitores.


Midnight Quarteto Fantástico


Esse talvez seja o título que mais pavimentou o seu futuro. Midnight Quarteto Fantástico, escrita por Benjamin Percy, promete uma história “lovecraftiana” e não deixa dúvidas de que vai cumprir a promessa. Dos três títulos, Quarteto Fantástico é a que mais mostra um conceito de que realmente vem coisa grande pelas próximas edições, incluindo uma citação à Zona Negativa.


O título também não tem pressa alguma para acontecer, a equipe não é formada e nem ganha os seus poderes nessa primeira edição (e de acordo com o autor, isso deve acontecer só na edição número quatro, o que não é nada sugestivo, não é?). Ben, Susan e Johnny já tem um passado juntos, Reed é aquele amigo que é o último a entrar para o grupo, e essa entrada acontece depois de uma demissão e uma passagem pela cadeia (sem muitos spoilers aqui).



A dinâmica entre os quatro funciona bem, o roteiro de Percy cumpre o seu papel, assim como a arte de Kev Walker, que tem um quê mais cartunesco e que pode destoar às vezes do tom da trama que tá sendo contada, mas nada que prejudique a experiência de leitura.


Essa nova versão do Quarteto Fantástico também bebe da fonte de toda a mitologia original que fez o Quarteto ser o que ele é: uma equipe de exploradores. Por mais que nesse novo universo sombrio da Marvel eles ainda não tenham saído para explorar o universo, fica nítido que essa característica do DNA da equipe não foi deixada de lado. Benjamin Percy disse que sempre quis escrever a equipe e que agora que tem a oportunidade não desperdiçará, e é nítido o amor com o qual ele está escrevendo.



Ainda é cedo para saber se a linha Midnight será um sucesso duradouro, mas se tem uma coisa que posso afirmar é que ela começou muito bem e tem tudo pra gerar grandes histórias.


E se fosse para escolher uma ordem de preferência, diria que é a mesma escrita nesse texto: X-Men, Homem-Aranha e Quarteto Fantástico.

Comentários


Aqui a gente fala sobre a cultura pop com bom humor e acidez na medida certa. Trazemos pautas que realmente importam e merecem ser discutidas.

FIQUE LIGADO NASREDES SOCIAIS

Compre pelo link e nos ajude

AMZN_BIG.D-8fb0be81.png

ASSINE

Assine nossa newsletter e fique por dentro de todo conteúdo do site.

Obrigado pelo envio!

© 2026 YELLOW TALK 

bottom of page