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  • Foto do escritorCarlos Pedroso

Entre Balões e Caos: A Necessidade de Profissionalismo Editorial

Ah, como resisti em colocar minhas palavras no papel, não por ser um tema insignificante ou passível de ser ignorado. Mas sim, por temer que meu pensamento pudesse se perder na cacofonia de opiniões superficiais, como aquelas encontradas em páginas de fofoca, onde tudo é notícia. Deixo aqui uma reflexão: será que o ato de simplesmente disseminar informações sem contexto ou expressar uma visão pessoal não é um desserviço, similar àquelas páginas de fofocas que resultaram na trágica morte de uma jovem, vítima das chamadas "fake news"?



Após este desabafo, vamos adentrar ao cerne do que realmente importa. Quando a desorganização compromete todo um trabalho, cabe a nos questionar, não para julgar ou condenar, mas para extrair aprendizados de tal situação. Contudo, isso fica para o desfecho. Agora, debrucemo-nos sobre os fatos. É inegável que na maioria das editoras de quadrinhos, encontramos os chamados "autores", empresas conduzidas por um único indivíduo, homem ou mulher. Estas pessoas se veem compelidas a desempenhar todas as funções, tarefas que idealmente seriam realizadas por uma equipe competente de profissionais. Um mundo perfeito, não é mesmo? Na prática, o que ocorre é que muitas vezes a pessoa se torna editora, revisora, responsável pelo marketing, entre outras funções. Esta sobrecarga resulta em trabalhos mal-executados, ou quase nada feito. Ah, mas se não fosse assim, os quadrinhos seriam ainda mais caros (já são caros, diga-se de passagem). Na prática, o que se observa são atrasos, problemas de divulgação, erros nas edições, problemas de impressão, entre tantas outras questões, que poderiam ser evitadas com uma equipe mais robusta (não que isso isentasse de erros, certo, dona Panini?), capaz de aprimorar o fluxo de trabalho.


Ufa, falei muito, não é mesmo? Agora, voltando ao cerne da questão. Essa desorganização faz com que as editoras percam o mínimo de prestígio que possuem e acarretem problemas, como os enfrentados pela Skript. Bem, agora, vamos focar nela, a editora que está gerando burburinho. Não entrarei em detalhes, pois não cabe a mim fazê-lo. Mas o que ocorre atualmente é um reflexo da má gestão, desorganização, encobrimento e amadorismo por parte da liderança da editora. Todo esse tumulto poderia ter sido evitado com um trabalho bem estruturado e fundamentado na realidade. Contudo, ao longo dos últimos anos, o que vimos foi justamente o oposto: amadorismo, inundação de títulos sem uma curadoria adequada, problemas com autores, dissensões entre os proprietários, entre outros que poderiam ocupar horas de discussão. No entanto, o ponto que merece destaque é que não é apenas a Skript que age de maneira amadora. Outras também merecem menção, como a Hyperion, que prometeu o mundo e o fundo, mas hoje mal se ouve falar, sem qualquer certeza sobre a continuidade das séries iniciadas. Contudo, não vemos um movimento de boicote ou mesmo divulgação sobre isso, o que é lamentável, pois, aproveitando o tumulto causado pela Skript, diversos veículos divulgaram a notícia em primeira mão.


Cabe a nós, leitores e produtores de conteúdo, sermos mais participativos na esfera dos quadrinhos e manifestarmos nossa discordância diante de situações que consideramos inaceitáveis. Assim, podemos cobrar maior seriedade das editoras que atuam de maneira amadora. O que está ocorrendo pode ser utilizado como um estudo de caso para instigar mudanças, para que as editoras se organizem, sejam mais transparentes com seus clientes e leitores, cumprindo suas obrigações. Organização, comprometimento e transparência são fundamentais para aqueles que dedicam tempo e dinheiro em suas publicações. E aos colegas que buscam divulgar informações em primeira mão, exorto que mantenham o comprometimento em oferecer uma informação de qualidade, aplicando a mesma régua para todas as notícias transmitidas. O que precisamos é de mais organização e seriedade no universo dos quadrinhos. Acredito que já passou da hora de não mais compactuar com amadores que se autoproclamam editores, sem possuir o mínimo de profissionalismo para lidar com a paixão de seus leitores.



"Este texto reflete a opinião do seu autor, sendo de sua responsabilidade, e não expressa a opinião dos outros membros."


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