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  • Foto do escritorRonaldo Gillet

‘Planeta dos Macacos: O Reinado' - quando ‘ser’ é o problema

‘Planeta dos Macacos: O Reinado' está em cartaz nos cinemas iniciando uma nova trilogia para uma das franquias mais longevas da história da sétima arte. A produção repleta de subtextos sobre política e colonialismo - além de alfinetadas sobre pensar e, logo, existir, ou destruir - continua a narrativa 300 anos após a morte de César, o protagonista da aclamada (ao menos pelo autor deste texto) trilogia anterior.


Ao longo dos filmes - sejam os mais recentes ou os da virada dos anos 1960 para os 1970 - a história evolui de uma Terra dominada por humanos para um mundo onde os macacos inteligentes se tornam a espécie dominante, enfrentando conflitos internos com sua própria espécie e com os humanos sobreviventes ao caos criado por eles mesmos.


Na obra que está em cartaz, dirigida por Wes Ball (também diretor das adaptações de Maze Runner), os humanos estão à margem da dominância símia e se passaram várias gerações após o reinado de César. Proximus César, um novo líder tirânico, ergue seu império enquanto Noa, um jovem macaco, inicia uma jornada que o leva a questionar seu passado e tomar decisões cruciais para o futuro de ambas as espécies.

A revolução liderada por César no filme anterior fez dele uma figura quase messiânica. Três séculos após sua morte, seu legado não se apagou. No entanto, enquanto seus ensinamentos são transmitidos através das gerações, muito conhecimento histórico se perde e é interpretado de maneira equivocada ao longo do tempo (qualquer semelhança com o mau uso das sagradas escrituras por clãs religiosos dogmáticos dos tempos atuais não é mera coincidência.


O roteiro de Josh Friedman e Rick Jaffa usa as mensagens de César como uma espécie de pedra fundamental. Interpretadas de maneiras diversas, essas mensagens geram fissões. Raka, um orangotango que não perdeu a fé na raça humana, tenta preservar os ensinamentos originais de César, promovendo a coexistência pacífica entre os humanos que restaram (representados principalmente pela personagem Nova (Freya Allan) e os macacos. Em contraste, Proximus César distorce essas mensagens para justificar um governo autoritário que subjuga a raça considerada inferior por ele e por seus seguidores.


Em paralelo ao mundo real, a narrativa também retrata a falta de bom senso da humanidade em cuidar do planeta. Ademais, a filosofia de Heráclito de Éfeso, que afirmou que "a única constante é a mudança," ressoa aqui. Além disso, a dicotomia das “boas intenções” refratadas a partir do prisma da inteligência alcançada pelos símios dominantes (ou dominadores) do novo filme, vem (e muito) a calhar no auge da modernidade líquida em que nos encontramos.


A decalogia (até aqui!) de Planeta dos Macacos

Planeta dos Macacos é um fenômeno artístico em constante movimento, capaz de seguir respirando sem sufocar, década após década, desde a publicação do romance francês de Pierre Boulle, em 1963, até a adaptação da ficção científica distópica, cinco anos depois, para as telonas, com 10 longas produzidos no total até os dias de hoje.


Na linha do tempo cinematográfica temos, em 1968, o primeiro longa, dirigido por Franklin J. Schaffner e estrelado pelo aclamado Charlton Heston. Em seguida, vieram quatro sequências, fechando a primeira leva de filmes conectados uns com os outros no ano de 1973. Em 2001, Tim Burton dirigiu um remake estrelado por Mark Wahlberg. A série foi reiniciada em 2011 com uma nova trilogia estrelada por Andy Serkis - a última dessa nova leva de produções chegou aos cinemas em 2017.


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