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O Chalé no Fim do Mundo: Uma Jornada Angustiante pelos Limites da Mente Humana

Atualizado: 28 de mar. de 2023



O livro O Chalé no Fim do Mundo de Paul Tremblay é uma obra intensa e perturbadora que certamente vai mexer com os nervos dos leitores. E agora, com sua adaptação para o cinema, estamos diante de uma obra que acabou se tornando ainda mais impactante.


A história acompanha a menina Wen, de sete anos, que está de férias com seus pais, Eric e Andrew, em um chalé isolado na floresta para um fim de semana de descanso e diversão. Mas as coisas começam a dar errado quando a menina é surpreendida e abordada por um homem misterioso que após conversar com seus pais, afirma que o mundo está prestes a acabar, e que cabe a eles decidir o destino da humanidade.




O livro de Tremblay é uma história de terror psicológico que mexe com as emoções e os medos mais profundos dos leitores. A narrativa é construída de forma a deixar o leitor em constante tensão, sem saber o que esperar a cada página virada.


A adaptação cinematográfica de O Chalé no Fim do Mundo acaba sendo um método de incentivo à leitura da obra original já que conta, com um elenco de peso que inclui nomes como Dave Bautista e Rupert Grint. O diretor, M. Night Shyamalan, trouxe sua experiência de sucessos e alguns fracassos para a tarefa de transformar uma história complexa e intensa em um filme que consiga capturar toda a sua essência.




Histórias de invasão domiciliar sempre possuem algo em comum. Já sabemos que veremos alguém que estava tranquilo sendo incomodado, que irá apelar para nossos medos mais profundos e instintos de sobrevivência, e que em determinado momento os invasores cometerão algum erro que tentaremos aproveitar. O Chalé no Fim do Mundo não foge desses clichês, mas a obra de Tremblay é bastante eficaz em trazer interessantes reflexões à tona, sendo louvável a demonstração de várias zonas cinzentas na personalidade dos personagens que nos obriga a questionar nossas certezas em alguns momentos.



O casal Eric e Andrew, bem como sua filha Wen, estão descansando em uma cabana de férias sem acesso à internet ou telefone, quando recebem a visita de quatro inesperados invasores liderados por Leonard. Esse grupo de invasores parece não estar lá com muita vontade, afirmando estar em uma missão importante para salvar a humanidade. A premissa que o grupo de invasores apresenta é simples: a família terá que escolher um deles para ser sacrificado, pois essa é a única forma de evitar o apocalipse.


Independentemente dos caminhos que a trama toma, é particularmente interessante ver a dinâmica criada entre essas personagens. É bastante fácil identificarmo-nos e torcermos por aquela família que não fez nada de errado. Ao mesmo tempo, é difícil saber como nos devemos posicionar em relação aos invasores que acreditam piamente em sua missão, parecendo tão ou mais desesperados do que a família. A criação de personagens críveis trazem verdade para a história, em poucos parágrafos o autor estabelece eficazmente uma família unida e convincente. De não menos destaque é o trabalho feito para apresentar os invasores, me peguei por vezes torcendo para que a angustia deles terminasse também.



Não sabendo durante grande parte da obra no que devemos acreditar, o livro é bastante eficaz ao colocar em nossa cabeça todas as possibilidades com probabilidades similares. Nada nos surpreende e ao mesmo tempo tudo faz sentido. A trama é também bastante eficaz ao fazer-nos perguntas difíceis que exigem escolhas impensáveis. Qualquer pessoa que tenha uma relação com a leitura e que vá além do seu consumo rápido e vazio vai experimentar uma simples, mas inquietante questão: “E se fosse comigo”? Independentemente do tom tendencialmente religioso que pode ser depreendido do livro, ele o faz sempre de uma forma interessante do ponto de vista narrativo, o que deverá ser capaz de convencer crentes e não crentes que estejam a fim de um argumento bem construído.


E quando não estamos naquela cabana? O balanço é bem mais positivo do que negativo, mas existe alguma quebra de ritmo quando nos são apresentados alguns flashbacks, sendo que alguns até direi serem prescindíveis para a história contada. Já quando faz essa mudança para nos mostrar o mundo exterior na atualidade, a obra o faz de um modo bastante eficaz com cenas surpreendentes e surpreendentemente grandiosas em escala.



Quanto a adaptação para as telas, haverá quem diga que este é um regresso de M. Night Shyamalan à boa forma, haverá quem considere esta história demasiado contida. Como é habitual na carreira do realizador, será um filme divisivo e isso inclui o final – que eu particularmente aprecio por não ter medo em nos dar uma resposta diferente do que a que o livro traz. O Chalé no Fim do Mundo nunca contraria sua premissa e não vende o que não é. É um filme visualmente apelativo que resulta como um thriller tenso de invasão domiciliar, fazendo-nos perguntas difíceis e exigindo escolhas impossíveis.


Em resumo, O Chalé no Fim do Mundo é um livro que merece ser lido e visto, certamente vai marcar os leitores que se aventurarem por suas páginas. E com a adaptação para o cinema, temos a oportunidade de ver essa história perturbadora ganhar vida na tela grande. Recomendo a todos que leiam o livro e assistam ao filme, se tiverem coragem.

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