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  • Foto do escritorRonaldo Gillet

A Sociedade da Neve: Quando ser ‘humano’ é milagroso


Até que ponto os limites de um ser humano podem ser testados. Fé, compaixão, dor, caridade, bondade, lealdade, fraternidade. Todas essas palavras, em seus significados únicos, podem até apresentar congruências, mas passariam longe de ser sinônimos. Em A Sociedade da Neve, produção espanhola em exibição na Netflix, a fragilidade e a força humana são o Yin e o Yang agindo juntos em prol da sobrevivência de um heterogêneo grupo de pessoas.

A trama, indicada ao Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Internacional, é baseada no fatídico acidente aéreo de 13 de outubro de 1972, quando um avião de médio porte, levando jogadores uruguaios de rúgbi (e alguns familiares desses atletas) para um jogo no Chile, caiu sobre o ‘Vale de Las Lágrimas’, na Cordilheira dos Andes. Mais de 50 anos depois e de inúmeros meios (incluindo o próprio Cinema, com o filme Vivos, de 1993) já terem contado essa história, o impacto segue forte por tudo o que cerca essa milagrosa jornada de 72 dias à espera de um milagre.



As escolhas do diretor espanhol J. A. Bayona pra criar laços de empatia entre nós (espectadores) e aqueles que lutaram pela vida ao longo de mais de duas horas de filme, nos fazem repensar nossas prioridades enquanto seres humanos, refletir sobre com quem criamos laços, para quê o fazemos e nos colocam frente a frente com o que a sociedade costuma rotular de ‘fé’. Afinal, cada um não pode formatar suas crenças e canalizar esse “poder oculto” da forma que achar melhor?



Seja entre os 16 sobreviventes ou em parte do grupo dos 45 passageiros que embarcaram nessa viagem quase sem volta no voo 571 da Força Aérea Uruguaia rumo ao Chile, é preciso salientar que temos atuações que beiram o impecável, com destaque para Enzo Vogrincic (sósia de Adam Driver) no papel de Numa Turcatti. Numa foi uma espécie de personagem chave para que seus amigos sobrevivessem a jornada de quase dois meses em condições extremas.

E se tem uma coisa que o filme Vivos, primeira grande produção retratando o famoso acidente andino possa ter deixado marcado em quem o assistiu - seja à época ou mais recentemente - é o fato de que, para seguirem sobrevivendo, seria necessário que o grupo se alimentasse da carne dos amigos mortos. Em A Sociedade da Neve, o ato se despe do grotesco e é retratado de maneira extremamente respeitosa.

Já no início de 2024, temos um filme com “cara de Oscar”, daqueles com capacidade de obliterar a passagem do tempo. Quando seus 144 minutos findam, a sensação é de você mal ter sentado no sofá. É até edificante sentir que existem produções cinematográficas com tamanha qualidade saindo do forno em tempos onde as condições extremas são as da sociedade da efemeridade.

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